Chile – Bachelet prepara departamento de Assuntos Religiosos

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Chile – Bachelet prepara departamento de Assuntos Religiosos

SANTIAGO, Abr. 19 (ALC) – Num fato histórico, o governo da presidenta Mchelle Bachelet prepara a criação de Departamento de Assuntos Religiosos dedicado às relações entre os diferentes credos e o Executivo. A iniciativa cumpre uma promessa de campanha. Para a jornalista Rocío Montes, do diário El Mercurio, o tema reveste-se de especial interesse para a presidenta, tal como propôs no seu programa de governo. “O documento jamais fala de uma única Igreja, evitando dar supremacia à católica, mas em todo momento refere-se às igrejas”, avaliou. O Departamento de Assuntos Religiosos, que começará a ser desenhado uma vez completadas as 36 medidas dos 100 primeiros dias de governo, promete um efeito “equalizador” entre as diferentes religiões, analisou Montes. Será uma espécie de “janela única” para nivelar os vínculos dos diversos setores religiosos com o La Moneda. Esse fato, escreveu a jornalista concordando com alguns setores da Concertación, poderia gerar certo impacto na sensibilidade católica, do mesmo modo como ocorreu com a Lei de Liberdade de Culto, de 1999, que provocou protestos da hierarquia. A institucionalidade que o governo de Bachelet pretende instaurar poderia estreitar a distância existente entre a Igreja Católica e os grupos religiosos minoritários no Chile, assinalou Montes. As relações da presidenta Bachelet com os evangélicos não são novas, mas remontam ao período em que ela era ministra da Saúde e depois da Defesa. Os contatos com os evangélicos foram mantidos na campanha presidencial de Bachelet, que sempre considerou o fato de que mais de 1,6 milhão de chilenos professarem esse credo. O bispo da Igreja Pentecostal Apostólica e coordenador do Comitê de Organizações Evangélicas (COE), Francisco Anabalón, contou que em todas às vezes que esteve reunido com Michelle Bachelet pediu-lhe autorização para orar. “Ela aceitou e em silêncio escutou as rezas”, revelou. Diferentemente do ex-presidente Ricardo Lagos, Bachelet não é batizada. Ela provém de família leiga e seu pai e avô materno pertenciam à Grande Loja. Seu único casamento não se deu pela igreja. Por isso, disse a jornalista, Bachelet não se impôs metas complexas do ponto de vista de valores. “Com um governo de somente quatro anos, ela determinou não se enredar com temas que, por exemplo, poderiam complicá-la com a Igreja Católica”, assinalou um assessor de La Moneda. Esse fato, segundo a autora, ficou demonstrado nesta semana quando o governo anunciou que não insistirá de substituir o veto sobre a Lei de Clonagem e Genoma Humano, em trâmite no Senado, e que ameaçava sombrear suas relações com a Democracia Cristã.

Publicado originariamente em 15 de janeiro de 2013.

/ Internacional

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