Espanha- Espanha protesta contra fim do ensino religioso nas escolas

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Espanha- Espanha protesta contra fim do ensino religioso nas escolas

Centenas de milhares de pessoas, um milhão segundo a televisão pública, entre os quais alguns bispos católicos e dirigentes da direita opositora, protestaram neste sábado em Madri contra um projeto de reforma da educação do governo socialista, que considera opcional o ensino da religião católica.

As associações católicas de pais e alunos, que convocaram a manifestação, exigem a retirada de um projeto de lei do governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero, que prevê sobretudo tornar opcional o ensino da religião católica.

Os organizadores e a Comunidade Autônoma de Madri, presidida pela oposição, estimaram antes da marcha a participação de um milhão e meio de pessoas, enquanto que a polícia ainda não divulgou suas estimativas.

Uma grande multidão com faixas e cartazes a favor da educação livre, hostis ao governo de Rodríguez Zapatero, percorreu vários quilômetros pelo centro da capital espanhola. Pessoas de idade mais avançada, crianças e freiras desfilaram na marcha, transmitida direto pela rádio da Conferência Episcopal espanhola, a Cadena Cope, através de alto-falantes.

“Zapatero ataca os direitos dos pais!”, “Zero Zapatero!”, “Bispos, coragem, não estão sós!”, gritavam as pessoas segurando cartazes com lemas parecidos.

O líder da oposição e presidente do Partido Popular (PP, direita), Mariano Rajoy, e a Conferência episcopal espanhola convocaram seus simpatizantes e para assegurar a presença das pessoas fretaram inúmeros ônibus e aviões para transportá-los, inclusive para trazer gente proveniente dos arquipélagos de Baleares e das Ilhas Canárias.

Quase todo o Estado-Maior do PP esteve representado, desde o seu vice-presidente, Angel Acebes, a seu porta-voz parlamentar, Eduardo Zaplana, passando pela conselheira municipal madrilena Ana Botella, esposa do ex-chefe no terminado Governo de José Maria Aznar, ou a presidente da comunidade autônoma de Madri, Esperanza Aguirre.

Vários dignitários da Igreja se lançaram pelas ruas, como o secretário da Conferência Episcopal, José Antonio Martínez Camino, e seis bispos e arcebispos.

No entanto, a mobilização dos prelados foi menor do que em junho, quando se realizou outra grande manifestação, naquela ocasião contra a legalização do casamento entre homossexuais, da qual participaram mais de 20 religiosos.

Lei

O projeto de lei contestado neste sábado, que deverá ser debatido dentro de pouco tempo no Parlamento espanhol, anula sobretudo uma reforma anterior do Governo de Aznar, que implantava o ensino da religião católica como matéria obrigatória para o ingresso na universidade.

Esta lei foi congelada na chegada ao poder, em março de 2004, pelo Governo de Rodríguez Zapatero, cuja reforma prevê que o ensino católico será obrigatório para os centros educativos, mas opcional para os alunos.

Os alunos podem escolher entre a religião católica e um novo curso de instrução cívica classificada pelo PP como cursos de ideologia.

Os manifestantes reprovaram também o governo por sua intenção de limitar a escolha dos pais, administrando as inscrições nos estabelecimentos de ensino e introduzindo cotas para alunos com dificuldade, especialmente aqueles provenientes da imigração, nas escolas privadas financiadas pelo Estado.

O governo rechaçou categoricamente estas acusações. “Os pais que desejam que seus filhos estudem a religião terão o direito garantido. Ninguém de boa fé pode protestar”, afirmou na sexta-feira a vice-presidente do Governo, Maria Teresa Fernandez de La Vega.

A mobilização é vista como um teste para o governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero, submetido a uma oposição em massa da direita em todas as frentes e que vive um sensível retrocesso de popularidade nas pesquisas de opinião há algumas semanas.

da France Presse, em Madri

Publicado originariamente em 04 de dezembro de 2013.

/ Internacional

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