Governo Federal – Representantes do governo, da sociedade e do Legislativo vão discutir ensino religioso em audiência pública

GOVERNO FEDERAL

Governo Federal – Representantes do governo, da sociedade e do Legislativo vão discutir ensino religioso em audiência pública

O “Papai do Céu” deve entrar nas escolas? A pergunta vai nortear a audiência pública da Comissão de Educação desta terça-feira.

Segundo o deputado Pedro Uczai, do PT catarinense, que solicitou o debate, a ideia é ouvir posições do governo, de deputados e da sociedade sobre o ensino religioso no Brasil.

“Há três concepções, hoje, presentes no debate sobre o ensino religioso na escola pública. Uma posição defende que tem que ter ensino religioso, inclusive com ensino dos mandamentos da tradição cristã, nessa relação evangélica, católica (…). Outra concepção é que não tem que ter ensino religioso na escola, uma vez que o estado é laico (…). E uma terceira posição é que não tem que ter ensino religioso para ensinar a religião, mas como um fenômeno, como uma área de conhecimento humano. Então, fazer (…) um estudo do fenômeno religioso.”

Pedro Uczai é relator de dois projetos de lei do deputado Pastor Marco Feliciano, do PSC paulista, que tratam do tema.

O primeiro [PL 301/11] torna obrigatório o ensino religioso na rede pública, com respeito à diversidade cultural do Brasil e proibição a qualquer tentativa de conversão religiosa.

Pelo texto, o ensino deverá incluir aspectos gerais da religiosidade, da antropologia e da ética.

O outro projeto [PL 1021/11] cria na rede pública de Ensino Fundamental o programa “Papai do Céu na Escola”.

De acordo com o texto do projeto, o programa deverá orientar o ensino religioso, disseminando, de maneira lúdica, a diversidade religiosa no país, os valores morais e a cultura de paz e respeito às diferentes crenças.

Para Élcio Cechetti, coordenador do Fórum Permanente de Ensino Religioso, uma entidade da sociedade civil, o nome do programa “Papai do Céu nas Escolas” indica uma orientação cristã, doutrina que não é seguida por toda a população brasileira. Ele defende que a escola seja um lugar de estudo das diversas manisfestações religiosas e que o ensino tenha bases científicas e pedagógicas.

“Nós defendemos esse ensino que vá instrumentalizar o educando, que ele cresça percebendo que, embora ele tenha uma fé ou não tenha, em outros casos, ele vive num mundo no qual as religiões influenciam e essa interpretação do fenômeno religioso o ajuda a entender a realidade, a se posicionar nela, com criticidade, com conhecimento”.

Além de Élcio Cecchetti, foram convidados para a audiência o ministro da Educação, Fernando Haddad, e a ministra-chefe da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário.

De Brasília, sexta-feira, 24 de junho de 2011

 

Publicado originariamente em 29 de junho de 2011.

/ Brasil

Compartilhar esta Notícia

Comentários

Sem comentários até o momento.

Envie um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Enter Captcha Here : *

Reload Image