Governo Federal – Um comitê para combater a intolerância religiosa

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Governo Federal – Um comitê para combater a intolerância religiosa

A ministra da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, e o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assinaram portaria, na terça-feira, 22, que cria o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa.
A cerimônia teve lugar no templo da Legião da Boa Vontade, em Brasília, e contou com a participação de líderes de diferentes tradições religiosas.

O Comitê será integrado por 20 pessoas, 15 delas representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa, e cinco representantes do governo federal. Ele terá a incumbência de elaborar políticas de afirmação do direito à liberdade e diversidade religiosas, além de disseminar a paz, a justiça e o respeito às diferentes crenças e convicções de fé.

Em fevereiro, mais tardar em março, será emitido o edital para a escolha dos integrantes do Comitê, que terão um mandato de dois anos, informou a assessora da Política de Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos, pastora Marga Janete Ströher.

Marga disse à repórter Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil, que as religiões de matriz africana são as mais atingidas pela intolerância religiosa.

Na instalação do Comitê municipal paulista, o ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior, declarou ao repórter Alex Rodrigues, da Agência Brasil, que não sabe avaliar o motivo de tanta intolerância.

“Eu vejo tudo isso como um fenômeno umbilicalmente ligado ao racismo, algo que não pode ser desassociado da questão do preconceito racial. Tanto que, na Seppir, não recebemos nenhuma denúncia dando conta de que outras religiões, além daquelas de matriz africana, sejam alvo de discriminação”, apontou Carlos Alberto.

A secretária da Seppir, Silvany Euclênio, assinalou que a intolerância religiosa está relacionada ao racismo e que seu enfrentamento passa necessariamente “pelo combate à violência contra a ancestralidade africana e vice-versa”.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, lembrada a cada 21 de janeiro, foi instituído em 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em homenagem à iyalorixá baiana Gildásia dos Santos e Santos, que faleceu nesse dia, em 2000, vítima de enfarto.

Ela teve sua imagem vinculada em matéria do jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, edição 39, sob o título “Macumbeiros charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”, agredindo tradições religiosas de matriz africana, das quais Gildásia era uma das representantes.

ARTIGO – G1

Publicado originariamente no dia 24 de janeiro de 2013.

/ Brasil

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