Inglaterra – Os muçulmanos britânicos querem que a escola se adapte

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Inglaterra – Os muçulmanos britânicos querem que a escola se adapte

Num documento que traz um elenco de pedidos, o Conselho Muçulmano Britânico solicita que as escolas públicas respeitem o conceito muçulmano de “haya” (pudor) Jean-Pierre Langellier correspondente em Londres Os jovens muçulmanos devem poder usar a barba na escola, as moças trajar o véu islâmico durante todas as aulas, inclusive as de educação física, os estudantes devem poder ser dispensados das aulas de educação sexual. Estes são alguns dos pedidos que foram apresentados pelo Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha (MCB), a principal organização representativa dos 1,6 milhão de muçulmanos que vivem no reino. Num documento de 72 páginas que foi publicado em 21 de fevereiro, o MCB pede ao governo que seja permitido aos 400.000 jovens muçulmanos exercerem mais livremente as suas práticas religiosas nas escolas públicas, onde 96% dentre eles estudam. Os outros freqüentam escolas privadas, ou ainda uma das cinco escolas de Estado muçulmanas. O MCB lamenta que certas escolas não tenham se mostrado “receptivas às reivindicações legítimas e sensatas dos pais e dos filhos muçulmanos em relação às suas preocupações ditadas pela fé”. O documento do MCB se parece ao mesmo tempo com um catálogo de recomendações e um elenco de reclamações. A sua importância política decorre da influência do MCB. Esta organização, que foi fundada em 1997, exerce um controle sobre mais de 400 associações religiosas, culturais, sociais e profissionais muçulmanas. Ela se diz autorizada a falar em nome da principal minoria religiosa do Reino Unido. O governo de Tony Blair fez do MCB o seu interlocutor muçulmano privilegiado, principalmente desde os atentados de Londres em julho de 2005. O MCB quer que rapazes e meninas possam expressar a sua fidelidade ao conceito muçulmano de “haya” (“pudor”) por meio do vestuário que eles trajam. As estudantes devem poder ter a cabeça coberta em qualquer circunstância com o véu islâmico ou trajar o “jilbab”, um vestido comprido que desce até o tornozelo. O MCB nem sequer menciona o “niqab”, o véu integral que só deixa aparecerem os olhos. Durante aulas de educação física, o MCB recomenda aos alunos trajarem um abrigo de moletom, e às moças cobrirem a cabeça com o véu islâmico, “amarrando-o de uma maneira segura”. O caráter misto da escola deve ser excluído dos esportes coletivos que envolvem contatos físicos, tais como o futebol e o basquete. O MCB pede que os alunos possam se trocar em cabines individuais, e não em grupo, e que eles sejam dispensados de tomar banho depois do esporte caso essa atividade expuser o seu corpo à vista das outras crianças, isso porque “o Islã proíbe estar nu diante dos outros ou antever a nudez dos outros”. As aulas de natação que são ministradas aos rapazes e às meninas juntos são “inaceitáveis por razões de decência, aos olhos dos pais muçulmanos”.

Publicado originariamente em 11 de setembro de 2013.

/ Internacional

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