Maranhão – Escolas exigem graduação de professores

images

Maranhão – Escolas exigem graduação de professores

Ao contrário do que ocorreu durante muitos anos em São Luis, as escolas que adotam a disciplina ensino religioso na grade curricular das séries de ensino fundamental e médio já estão exigindo dos professores a graduação em Ciências Religiosas. Grande parte dos diretores desses estabelecimentos são a favor do projeto de lei do deputado estadual César Pires. Na capital, existem dezenas de escolas ligadas a congregações religiosas. O colégio Santa Teresa, um dos mais tradicionais colégios católicos de São Luis, é um dos que exigem graduação dos seus professores. Atualmente, a escola possui três professores de ensino religioso, todos graduados em Ciências Religiosas, sendo que dois também são teólogos. Todas as séries possuem a disciplina, sendo que no ensino infantil e na primeira etapa do ensino fundamental, de 1ª a 4ª séries, é a própria professora da série que ministra a disciplina. “Deixamos com a professora da série, porque a estrutura dessa primeira etapa do ensino fundamental não permite a troca de professores, mas o planejamento dessas aulas é feito com todo o cuidado, sempre levando em consideração os Parâmetros Curriculares Nacionais”, explica a coordenadora de série e do Departamento de Formação do Colégio Santa Teresa, Maria da Luz Barbosa. Apesar de seguir os PCN’s, a coordenadora Maria da Luz explica que a escola possui filosofia própria. Ela diz, ainda que o estudo da religião é voltado para a formação do aluno, no que diz respeito aos valores morais e éticos. “Não trabalhamos com doutrinamento porque temos alunos de varias religiões e até sem religião, e é preciso respeitar isso. Não misturamos o conteúdo das aulas de religião com a preparação aos sacramentos católicos e a vivência litúrgica, isso é feito separadamente”, completa. No colégio Marista, também ligado à Igreja Católica, o ensino religioso é ministrado em todas as séries, do infantil ao ensino médio. Com uma ou duas horas / aula por semana da disciplina, dependendo da série, a direção da escola afirma que os alunos têm ensino religioso voltado para a prática evangélico-libertadora, com os estudos direcionados ao fenômeno religioso e aos valores morais éticos. “Fazemos tudo de acordo com os PCN’s e achamos que a graduação é extremamente necessária, até porque a boa formação dos nossos alunos depende de um quadro de professores de alto nível”, diz a coordenadora do Serviço de Orientação Religiosa do Marista, Conceição Rocha.

[b]Projeto causa polêmica em audiência na Assembléia[/b]

De autoria do deputado estadual César Pires, o projeto de lei nº. 022/2004, que regulamenta o ensino religioso no estado, causou muita polêmica entre pastores, representantes de seminários e faculdades teológicas, Promotoria da Educação e Conselho Federal de Teólogos do Brasil, em uma audiência pública realizada no último dia 13, na Assembléia Legislativa, onde o mesmo foi discutido. A audiência na Assembléia Legislativa foi proposta pela deputada Telma Pinheiro com o objetivo de esclarecer e orientar os estabelecimentos de ensino religioso sobre a regularização e os critérios para que os mesmos sejam legais junto aos órgãos oficiais que controlam as atividades educacionais. Para o deputado César Pires, a intenção é que haja rigor científico na questão do ensino religioso, assim como há em outras áreas da educação.

[b]Colégios evangélicos tomam muito cuidado com a disciplina[/b]

Assim como as escolas católicas, as evangélicas também exigem a graduação em Ciências Religiosas. A professora de ensino religioso, Luciene Aragão, é formada pela Faculdade de Teologia Adventista da Bahia. Para ela, o curso superior é de extrema importância para o ensino da religião. “A formação acadêmica é importante, porque ajuda a trabalhar melhor os valores morais e religiosos com os alunos, sem entrar na área doutrinária. Já uma pessoa sem essa formação, o sério risco de ensinar doutrinas aos alunos, não respeitando a opção religiosa de cada um”, opina. O pastor Jerry Silva, capelão do Colégio Adventista, revela que 85% dos alunos da escola não são adeptos à Igreja Adventista. Por isso segundo ele, a religião é trabalhada enquanto prática social e filosofia de vida. “Não obrigamos o aluno a se tornar adventista. Ele tem a opção de escolher. O que fazemos é promover, duas vezes ao ano, a Semana da Oração, com palestras diárias de pastores da igreja. Ao final dessa semana, temos o batismo e, o aluno que quiser com o conhecimento e consentimento dos pais é batizado e passa a ser adventista”, explica o capelão. O mesmo acontece no colégio Batista Daniel La Touche, ligado à Convenção Batista Maranhense. Além da graduação em ensino religioso, é exigida ao docente a graduação em Pedagogia ou Serviço Social. Os valores morais éticos e espirituais são o carro-chefe do ensino religioso na escola. “A educação religiosa, assim como todas as outras disciplinas, é levada muito a sério pela nossa escola, e por isso, achamos a graduação dos professores de fundamental importância para que eles possam melhor orientar nossos alunos. Além disso, trabalhamos com projetos sociais nos bairros carentes vizinhos, para colocar em prática os valores ensinados em sala de aula”, diz a diretora pedagógica Ioneide Barbosa.

Publicado originariamente em 20 de abril de 2013.

/ Brasil

Compartilhar esta Notícia

Comentários

Sem comentários até o momento.

Envie um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Enter Captcha Here : *

Reload Image