Pará – Em Belém – Longe da guerra na Faixa de Gaza, os dois povos vivem em clima de completa harmonia

PARA

Pará – Em Belém – Longe da guerra na Faixa de Gaza, os dois povos vivem em clima de completa harmonia

DE: TAINÁ AIRES -Da Redação

 

Árabes e israelenses convivem pacificamente na capital paraense. Eles possuem uma relação de amizade no comércio, nas festas e até permitem casamentos entre pessoas dos dois grupos. Porém, quando o assunto é a guerra na Faixa de Gaza, a situação já não fica tão amigável assim. Apesar de se respeitarem, as raízes políticas e religiosas acabam falando mais alto. Os árabes dizem que a criação do Estado Palestino é um direito que deve ser cumprido. Mas, para os israelenses, os árabes utilizam esse argumento para incentivar a extinção do Estado de Israel. O presidente do Centro Israelita do Pará (CIP), Iana Pinto, diz que os israelenses são considerados o povo da Bíblia, não das armas. Por causa disso, ela explica que são contra qualquer tipo de guerra. ‘A guerra nos entristece muito. O povo israelense prioriza o direito religioso de existir. Ao contrário do Hamas, que pretende eliminar o Estado de Israel. Há anos os israelenses vêm levando bombas’, diz. A presidente do CIP diz ainda que israelenses convivem há muito tempo e que, inclusive, existe uma mesquita – local de culto para os seguidores do islã – dentro do Estado de Israel. Iana Pinto ressalta que não é contra a criação do Estado Palestino, mas, sim, contra a extinção de Israel. ‘No dia em que Israel for extinto, é melhor que a gente rasgue todas as Bíblias, o Novo e o Velho Testamento. O povo israelense tem o direito de se defender’, conta. Já a economista Raquelita Athias, que é judia, é totalmente favorável à criação do Estado Palestino e considera que, assim como toda guerra, a história de conflitos entre israelenses e árabes é uma tragédia, pois traz morte, sangue e destruição. Ela explica que essa guerra existe desde 1948, devido à criação do Estado de Israel -, que nunca foi aceita pelos palestinos. ‘Todos deveriam seguir o exemplo de diplomacia do Egito e da Jordânia, que foram os únicos países árabes que assinaram um tratado de paz com Israel’, diz. Raquelita considera o povo palestino a maior vítima deste conflito. E lembra que se hoje o Hamas desistisse da posse de Israel, a guerra acabaria. ‘Israel tem um armamento muito mais forte. Por causa disso, muitas crianças morrem na Palestina, porque deixam que elas fiquem muito expostas. Em Israel, elas ficam mais protegidas. Entretanto, vários homens-bomba do Hamas se infiltram no Estado e matam jovens israelenses em boates, restaurantes e escolas. Tem muita gente inocente morrendo injustamente. É uma coisa horrorosa’, ressalta a economista. ‘Israel considera os palestinos como fanáticos religiosos’, diz escritor O escritor Assaad Zaidam conta que os israelenses, assim como outros povos, decidiram ter um ideal nacionalista. Por causa do holocausto russo e alemão, os judeus – que achavam que o mundo estava contra eles – perceberam que eles mesmos não eram unidos. Com isso, eles resolveram tomar a Palestina, comprando-a dos otomanos, que explicaram aos israelenses que esse era um lugar sagrado. ‘Os otomanos permitiram a morada dos judeus naquela região, mas eles não queriam apenas isso’, diz. Assaad Zaidam explica que, com a entrada da Inglaterra no Oriente Médio, o conflito foi intensificado. E, em 1920, a disputa começou de verdade. Já em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, Israel expulsou os palestinos daquela região. Por ter alto conhecimento tecnológico, os israelenses conseguiram se estabelecer e, posteriormente, ter o direito de um Estado. Depois disso, segundo o escritor, os países árabes abraçaram a causa palestina como se fosse deles. ‘Israel considera os palestinos fanáticos religiosos, mas eles também são. Eles jogaram quatro foguetes contra Israel e eles devolveram com um dos piores bombardeios, quando mais de 100 pessoas morreram. Israel já destruiu várias cidades. Os palestinos são os que mais sofrem com a ofensiva israelense. Infelizmente, o mundo inteiro não reconhece o direito desse povo’, informa. O empresário árabe Nabi Abou El Horsn participou de duas manifestações na cidade em favor da causa palestina. Ele diz que em vários lugares do mundo as pessoas se sensibilizam com os estragos na Palestina por causa do conflito contra Israel. ‘Bombas caem em escolas, bairros civis e templos religiosos. A população palestina está sem comida, água, luz. Um absurdo’, ressalta. Para Nabi, o cessar-fogo deveria ser imediato, mas as soluções têm que ser diplomáticas. Além disso, o empresário exige a criação de um Estado Palestino, assim como Israel teve o mesmo direito, há 60 anos. ‘Como a ONU já votou pelo cessar-fogo, essa medida deveria ser cumprida. Principalmente, porque Israel é um ‘filho’ da entidade’, diz. (T. A.) Conflitos fazem parte da história A história de conflitos entre árabes e israelenses é longa. Existe desde o século XIX. Com o colapso do Império Otomano, por volta de 1917, a situação se agravou ainda mais. Mas foi em 1948 o marco mais importante para que inúmeras guerras acontecessem entre os dois povos. Neste ano, Israel foi considerado um Estado pelo Plano de Partilha, que foi elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Só que os palestinos não ganharam o mesmo direito. O motivo teria sido o não reconhecimento de Israel como Estado. Em 2006, a convivência entre judeus e palestinos ficou ainda mais tensa. O grupo radical islâmico Hamas – considerado terrorista pelos israelenses – venceu as eleições parlamentares em Gaza e na Cisjordânia com esmagadora vantagem sobre o Fatah – movimento secular e nacionalista, que reconheceu o direito de existência do Estado de Israel. Das 132 vagas no Parlamento, o Hamas obteve 76, e o Fatah apenas 43. Mesmo com a vitória do Hamas, a Cisjordânia está sob ocupação israelense desde 1967, com autonomia limitada exercida pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), criada após os Acordos de Oslo com Israel, em 1993. Essa eleição dividiu a liderança palestina. O Hamas assumiu a chefia do gabinete, mas a Presidência da ANP continuou nas mãos de Mahmoud Abbas, do Fatah. A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel, outra a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. O último bombardeio foi iniciado em 27 de dezembro de 2008, e é considerado um dos mais violentos desde a Primeira Intifada, que aconteceu entre 1987 e 1991. Esse foi o primeiro grande ataque israelense, desde o fim do cessar-fogo acordado entre o governo de Israel e representantes do Hamas – que foi firmado em 19 de junho de 2008 e previa seis meses trégua. Mas, durante esse período, o acordo deixou de ser cumprido várias vezes. Em 4 de novembro de 2008, Israel violou a trégua com o Hamas, quando realizou na Faixa de Gaza uma incursão contra militantes do grupo palestino, matando seis milicianos e deixando outros três feridos. No dia seguinte, os militantes do Hamas responderam com mais de 20 foguetes contra Israel. No dia 14 de novembro, as forças israelenses realizaram novos disparos contra alvos do Hamas. O grupo radical Hamas declarou o fim de uma trégua com Israel em 19 de dezembro, quando militantes aumentaram ataques com foguetes. Em resposta, Israel lançou um ataque que matou mais de 195 pessoas em Gaza apenas no primeiro dia. Hoje, o número de palestinos mortos é mais de 1,1 mil e o de feridos já ultrapassa os cinco mil. (T. A.)

Publicado originariamente em 18 de outubro de 2013.

/ Brasil

Compartilhar esta Notícia

Comentários

Sem comentários até o momento.

Envie um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Enter Captcha Here : *

Reload Image