Pará – Ensino e diversidade religiosa são debatidos em Congresso

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Pará – Ensino e diversidade religiosa são debatidos em Congresso

Durante três dias professores e alunos da Uepa e de outras instituições discutiram sobre os desafios da prática do Ensino Religioso. Um dos destaques do evento foi a presença da mestre em Teologia pelo Centro de Estudos Superiores Jesuíticos de Belo Horizonte, Maria Inês Carniato.

O IV Congresso Regional de Ciências da Religião, promovido pelo Curso de Licenciatura Plena em Ciências da Religião da Universidade do Estado do Pará (Uepa), encerrou no sábado (19) com um debate sobre o Ensino Religioso, suas relações étnico-raciais e os desafios tecnológicos. Desde o último dia 17, alunos, professores e estudiosos da área debateram, no auditório do Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE), em torno do “Currículo e Diversidade Religiosa: Desafios da Prática”, tema central do Congresso.

Um dos destaques do evento foi a presença, pela primeira vez na Uepa, da mestre em Teologia pelo Centro de Estudos Superiores Jesuíticos de Belo Horizonte, Maria Inês Carniato. Convidada para expor no segundo dia de Congresso, Maria Inês trouxe aos participantes a perspectiva de que a diversidade religiosa é parte da expressão cultural de um povo, em especial os tradicionais. Para isso, a estudiosa utiliza documentos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização das Nações para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que legitimam a afirmativa.

“O Patrimônio Cultural e Imaterial da Unesco valoriza os saberes de comunidades tradicionais, que são, eminentemente, religiosos. Os povos tem uma crença, uma religiosidade que dá sentido a vida deles. Se a Unesco valoriza uma produção cultural humana, e se o lugar dela é na escola, ela é sim, objeto de ciência”, defende Maria Inês.

Segundo ela, a religião envolve duas dimensões: a fé e como os seres humanos interpretam e materializam experiências religiosas. Essa concretude se dá por meio da cultura, onde “as tradições religiosas são expressões culturais vistas em ritos, pinturas, esculturas, templos e sítios arqueológicos”, conta.

Para ela, os professores de Ensino Religioso ainda tem dificuldades de aliar religião à cultura. Isso porque, “existe um pressuposto que religião é apenas o catolicismo e que o único livro sagrado é a Bíblia. Pouca clareza sob o aspecto cultural e diversificado da religião”. Para isso, Maria Inês busca levar a diversidade religiosa para dentro da sala de aula. “Por meio do currículo, fazer com que ela seja multicultural e inter-disciplinar”, afirma.

As congressistas Ana Maria Tavares e Maria Lima aprovaram a quarta edição do Congresso Regional de Ciências da Religião e os temas debatidos. Elas, que são professoras de Ensino Religioso da rede pública estadual, afirmaram que o evento atendeu as expectativas, apesar de já trabalhar com o conteúdo na prática. “São experiências que a gente até conhece, mas vê que pode fazer melhor”, afirmou Ana Maria. “É um complemento, uma reciclagem. O conhecimento passado de outra forma, só enriquece o aprendizado”, finalizou Maria Lima.

 

Publicado originariamente em 06 de abril de 2011.

/ Brasil

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