Pernambuco – Ensino Religioso em Caruaru (PE)

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Pernambuco – Ensino Religioso em Caruaru (PE)

TRABALHO SOBRE A IDENTIDADE  E CONTEÚDO DO ENSINO RELIGIOSO   

“O ensino Religioso passou a ser uma das áreas de conhecimento, ou seja, um marco estruturado de leitura e interpretação da realidade, essencial para garantir a possibilidade de participação do cidadão na sociedade de forma autônoma.”

(Rodrigues e Junqueira, p. 16, 2009)     

Considerando o trabalho solicitado no Módulo de Cultura Religiosa, preparamos um pequeno questionário e o entregamos a alguns professores, os quais tem feito conosco este percurso pedagógico, através dos nossos encontros de Formação Continuada na Rede Municipal de Educação de Caruaru, bem como a outros, da Rede Particular, que estiveram conosco no ano de 2009, no I Seminário de Ensino Religioso em nossa cidade promovido pela Equipe de Formação Humana, da SEECJCT – Secretaria de Educação, Esportes, Juventude, Ciência e Tecnologia, da qual integramos. 

A estes professores solicitamos a sua contribuição nesta Área de Conhecimento e as respostas nos deram um retorno satisfatório ao perceber que, não obstante os inúmeros desafios, o processo de nossa caminhada tem sido fecundo.

Uma das primeiras questões abordadas aos professores entrevistados foi sobre a compreensão dos mesmos em relação à identidade do Ensino Religioso.

Para aqueles da Rede Municipal, já é evidente a importância desta disciplina na Escola Pública, na forma do artigo 33 da LDB, com a nova redação dada pela Lei 9475/97, evitando o proselitismo e os posicionamentos preconceituosos e intolerantes. 

Vejamos algumas respostas que este processo tem possibilitado:

“Nosso país, por exemplo, berço de uma diversidade cultural tem uma carência enorme de divulgação e estudo de nossas raízes, tendo em vista a imposição de uma Cultura Cristã, ou melhor, do seguimento Católico Romano, como sendo oficial e privilegiada nas escolas”. 

O Ensino Religioso presente nas salas de aulas das Escolas Públicas está acolhendo melhor tanto os alunos quanto os professores, respeitando a crença de cada cidadão(ã), conscientizando desde cedo para que não haja o preconceito religioso na forma de educar, para uma cultura de paz entre os povos”.

“Foi muito positivo o I Seminário de Ensino Religioso na perspectiva da Formação Humana: um novo paradigma na educação, realizado no ano passado, quando tivemos a possibilidade de maiores esclarecimentos sobre a disciplina de Ensino Religioso, a partir das considerações do próprio MEC. Enquanto Escola particular, temos na proposta pedagógica da Instituição a tendência de um ensino religioso de caráter confessional. Todavia, procuramos respeitar a opção religiosa do(a) estudante,  consciente de que o mais importante é favorecer uma relação de alteridade e não de imposição.”  

“Sou diretora de uma Escola da Rede Particular, com um número de aproximadamente 500 alunos. O contato com a Equipe de Formação Humana da SEECJCT, nos ajudou a discernir com mais clareza, o artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases que trata do Ensino Religioso e a nova redação dada pela Lei 9475/97, que diz respeito a não ser feito proselitismo de uma determinada religião. A maioria dos alunos – se não a totalidade, são cristãos – católicos e evangélicos – e procuramos não fazer discriminação, buscando desenvolver temas comuns que venham a favorecer os valores e contribuições de todos”.

 A respeito da seleção de conteúdos, os professores da Rede Municipal, tem como referencia os eixos que norteiam a proposta pedagógica do Ensino Religioso: Teologias, Ritos, Culturas e Tradições Religiosas e Ethos. E, para trabalhar estes eixos, eles utilizam textos, vídeos, pesquisas de campo, músicas, debates, diálogo entre educador e educando. Ressaltam a importância do caminho que tem sido proposto nos momentos de formação continuada desenvolvida pela Equipe de Formação Humana.

Na Rede Particular, os professores afirmaram que o I Seminário, alimentou o trabalho dos docentes da disciplina de Ensino Religioso, propiciando elementos que os fez sair dos conteúdos que trabalhavam repetidamente com as turmas, sendo os mesmos revistos todos os semestres com todas as turmas. Deste modo as aulas ficavam repetitivas e meio cansativas, tanto para os alunos com para os professores. Desde então, o Ensino Religioso tem favorecido conhecimentos com um novo jeito de ver os valores, tornando as aulas mais participativas, interessantes e vibrantes”.

Convém ressaltar que estes professores tem utilizado o site do GPER, além das pesquisas na Rede de computadores.            

 Uma Escola da Rede Particular destacou: “Os conteúdos são trabalhados, de acordo com a realidade dos níveis de ensino, dentro da proposta pedagógica da escola, tendo como uma das referências a Coleção de Ensino Religioso de Maria Inês Carniato. Como prática pedagógica, faz parte do Projeto Educacional da Instituição, desenvolver a compreensão do outro e a percepção das interdependências, realizando projetos comuns em áreas conflituosas. Isto tem possibilitado um caminho de alteridade no respeito à diversidade dos grupos sociais e culturais, com ações que promovem a interação e aprendizagem mútua e desenvolve o senso crítico dos educandos e o seu protagonismo no mundo”.           

Outra, também da Rede Particular afirmou: “No planejamento pedagógico da disciplina, se escolhe mensalmente um tema a cada mês e se trabalha de acordo com os níveis e peculiaridades de cada sala, utilizando dramatizações, atividades lúdicas, textos, pesquisa etc., abordando questões de atualidade, temas que envolvam todos, sem discriminação. São priorizados conteúdos que levam a uma reflexão sobre o mundo atual e sobre o cotidiano do aluno e como as religiões respondem às necessidades humanas. Procura-se envolver a família como parceira da escola, pois, se entende a importância da formação dos pais e/ou responsáveis, na condução corresponsável – Escola e Família – na educação integral do educando”.                       

Quando foi perguntado sobre como se percebem enquanto professores de Ensino Religioso na Escola Pública, transcrevemos literalmente o que dois deles responderam:Uma professora: “Como uma orientadora na pesquisa das Religiões, buscando alimentar não só o conhecimento do aluno como também o meu. Nesta grande dimensão que as religiões proporcionam, sempre existe o mistério da vida, da fé, da esperança, dos sonhos, do futuro, enfim da ciência. A humanidade e o sagrado de seus antepassados alimentam a busca pelo conhecimento, ou mesmo, pela interpretação de cada um.”

Um professor: “Não acredito que podemos realmente nos perceber em alguma coisa, mas, tendenciosamente “vejo-me” como um educador que sabe o que está fazendo, e apesar das criticas ao sistema e da desesperança que me toma muitas vezes dentro do meu ateísmo, acredito ou tento me fazer crer que faço algo que de certa forma faz a diferença para alguns destes alunos”.            

Considerando ainda a formação específica dos docentes que assumem a disciplina de Ensino Religioso, há professores licenciados em História,  Ciências  Sociais, Pedagogia  Letras, Filosofia e Teologia. Alguns destes tem especialização na sua Área de formação.           

Este ano, como conseqüência do trabalho desenvolvido pela Equipe de Formação  Humana, responsável pelo Ensino Religioso, o Sistema de Ensino Municipal, incluiu no concurso para professores, a disciplina de Ensino Religioso, disponibilizando 13 (treze) vagas, sendo uma delas, para portadores de necessidades especiais.           

Nesta troca de informações, pudemos perceber a grande necessidade de conhecimento, de saber, de todos os educadores envolvidos nesta Área. Há, sem dúvida, um longo percurso a fazê-lo no que se refere ao específico da disciplina, da qualificação profissional e da possibilidade de trabalhar em profundidade os Parâmetros Curriculares que norteia o conhecimento desta disciplina.

Deste modo, concluímos esta atividade conscientes da nossa própria condição de aprendizes – de aprender a aprender – beneficiando-nos  das oportunidades oferecidas, como esta, por exemplo, que temos vivenciado através deste Curso e das atividades por ele proposta, favorecendo o nosso compromisso por uma educação mais ética, solidária, humanizante e humanizadora.

Bruno Correia Aragão –         Luzinete Maria Silva – Tania Maria Moreira Santos  

 

Publicado originariamente em 15 de novembro de 2010.

/ Brasil

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