Portugal – «Do clique ao toque» reflete sobre ensino religioso na escola

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Portugal – «Do clique ao toque» reflete sobre ensino religioso na escola

 O professor João Manuel Duque, presidente da Universidade Católica Portuguesa, pólo de Braga, defendeu na 2ª edição da iniciativa «Do clique ao Toque» a necessidade de existirem professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) com uma preparação superior aos próprios sacerdotes e que sejam capazes, em “ambiente altamente exigente”, de dialogar com todas as “àreas do saber”. O docente abordou, ainda, as questões da cibercultura afirmando que já não existe “uma sociedade fora da rede da internet”.

 

Na sua reflexão João Manuel Duque começou por abordar a legitimidade da existência do ensino religioso na escola dentro do quadro da “concordata” e pelo “peso que a sociedade ainda dá a este modo de apresentar o religioso”. Para o docente o “fenómeno religioso” é constituinte do ser humano e, partindo deste presuposto, apoia a ideia de que “deveriam existir um minimo de competências de cariz religioso” que todo o cidadão deveria adquirir até ao final da sua formação inicial.

Numa escola cada vez mais plural e exigente o docente alertou para a necessidade de uma “formação e preparação” ddos docentes de EMRC num quadro de constantes 2desafios com que se deparam:

“O professor de Educação Moral e Religiosa tem que ter bastantes conhecimentos e ser bastante culto do ponto de vista de áreas afins e que se cruzam com a sua disciplina, nomeadamente História, Filosofia e às vezes Ciências, tem que saber o suficiente para conversar, debater e até contestar se for o caso com os seus colegas dessas áreas. Invocar que é só convicção religiosa não é suficiente, há questões que são científicas e podem ser debatidas cientificamente e isso implica preparação e leitura, que é um trabalho intelectual exigente”, afirmou.

O presidente da UCP-Braga, alertou para a existência do que chamou serem “ideologias infiltradas na escola” e para a possibilidade destas ideologias “estarem em alguns dos programas”. Para o investigador esta situação pode constituir-se como grave proque se pode constituir como “uma espécie de imposição às escolas de certas leituras e certas orientações que hoje são contestadas mesmo cientificamente”.

Na segunda parte da sua reflexão João Manuel Duque abordou os desafios da cibercultura:

“As crianças e jovens têm hoje na Internet um panorama diverso de oferta religiosa ou não religiosa, e esse contacto, em certo sentido é benéfico, porque tomam conhecimento logo de um conjunto de coisas a partir das quais o professor de EMRC pode trabalhar tendo noção dessa influência. O problema da rede é ser exageradamente confusa no sentido de não ter critérios de comparação e análise e nesse sentido pode ser perigosa e criar imensas confusões e até a própria confusão da não opção e não saber optar da parte dos alunos”, sintetizou.

Para o docente o papel do professor de EMRC deve ser o de ajudar o aluno na sua opção que não tem que ser uma posição idêntica à do professor. 

 

Publicado originariamente em 27 de fevereiro de 2017.

/ Internacional

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