Rio de Janeiro – Arquidiocese refuta crítica feita ao Ensino Religioso vigente no estado do Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro – Arquidiocese refuta crítica feita ao Ensino Religioso vigente no estado do Rio de Janeiro

A simples leitura literal de fragmentos da coleção dos livros do 2º, 3º, 4º e 5º anos do ensino fundamental, “AS OBRAS DE DEUS CRIADOR”, “O FATO CRISTÃO” , “ OS SINAIS DO ESPÍRITO”, e “A IGREJA DE CRISTO”, produzidos pela Arquidiocese do Rio de Janeiro , descontextualizada, não é um bom serviço ao entendimento do significado do Ensino Religioso, mas produz confusão. O Ensino Religioso vigente no Estado do Rio de Janeiro, diante da pluralidade religiosa do nosso povo, propõe o respeito a todas as religiões, oferecendo um ensino pluri-confessional. Refutamos portanto as críticas feitas na reportagem da Revista Época, que não teve o cuidado de consultar nenhum defensor do Ensino Religioso Confessional e Plural. Explicamos porque: 1- O primeiro erro é a afirmação de que há Catequese no livro didático da Arquidiocese. O conteúdo dos textos não é Catequese mas se coloca na área do conhecimento e é destinado aos que optaram pelo Ensino Religioso Católico. 2.O fragmento do livro do 4º ano, “OS SINAIS DO ESPÍRITO” apontado na reportagem, tem fulcro no Ensino Social do Magistério da Igreja Católica. Não se sustenta portanto, o receio dos autores da reportagem, de que o livro está “fazendo política”, mas na verdade, a Igreja Católica está exercendo o seu dever de instruir os 74% de católicos do país (índice apontado na reportagem, pelo IBGE de 2000) quanto aos seus documentos, e enfatiza o que determinam os artigos 18 e 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovados pela ONU, em 1948. Art. 18- “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de Religião ou crença, e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.” Art. 26.3- “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução a ser ministrada a seus filhos”. 3- Quanto à saudação “ às crianças prediletas de Jesus”, no livro “ O FATO CRISTÃO”, do 3º ano (e em todas as obras) , mais uma vez a percepção dos analistas provoca “ilusões errôneas” (Penna, Antonio Gomes – in Percepção e Realidade) , denotando equívoco na matéria de Língua Portuguesa, “Interpretação de Textos”: a expressão abrange a universalidade da condição da predileção do estado de “ser criança”. Por isso o termo “ as crianças” abraça todas, sem nenhuma discriminação. 4- O destinatário desses livros é o público “católico” (74% da população brasileira citação da própria reportagem), estando explícito no Caput da tarja laranja dos 4 livros : Livro Didático de Ensino Religioso Católico- Arquidiocese do Rio de Janeiro, ou seja, os que optaram pelo Ensino Religioso Católico, a quem se destinam essas obras. O fragmento em ressalva, no livro do 2º ano, “AS OBRAS DE DEUS CRIADOR”, nas orientações aos professores católicos (presentes nos 4 livros) não “conclama novos adeptos”, mas explica a “inculturação”, como diálogo entre o cristianismo e a cultura do nosso tempo. A inculturação está em contraposição ao proselitismo . 5- Outra crítica que provocou “ilusões errôneas” foi o fragmento sobre a “Umbanda”, destacado no livro de 5ª ano, “A IGREJA DE CRISTO”. Além da tentativa de ingerência nas organizações dos Credos, colocou em dúvida uma afirmação do texto elaborado pelo PRIMADO DE UMBANDA DO RIO DE JANEIRO, instituição reconhecida e regulamentada em nosso país. Faz-se mister esclarecer que os textos escritos nos livros didáticos de Ensino Religioso Católico, nos Capítulos referentes ao Diálogo, quer sejam com as religiões cristãs, quer com as religiões não-cristãs, foram elaborados pelos próprios titulares das outras religiões. São eles os sujeitos e os titulares da liberdade religiosa que delas decorrem. São os quem têm a palavra final no assunto. Questionar esse direito é ferir a Constituição de 1988 no art. 5º, Inciso VI.. Os livros “AS OBRAS DE DEUS CRIADOR”, “O FATO CRISTÃO”, OS SINAIS DO ESPÍRITO” e “A IGREJA DE CRISTO “, foram apresentados na reportagem sem nenhum compromisso seqüencial. A didática do Ensino Religioso Católico adota a corrente teológica do contexto da emergência pedagógica “problemorientierter Religionsunterrich”, partindo das questões antropológicas e sociais, de Nipkow Kontexttypus, que surgiu na Alemanha, pós II Guerra Mundial, concebendo o princípio da correlação do VER-JULGAR-AGIR, como uma relação entre as perguntas existenciais e as respostas teológicas. Os livros transmitem o conteúdo da Religião Católica, como área de conhecimento que torna possível entender a cultura moderna e contemporânea. Esses livros ilustrados e produzidos graficamente pelo grande cartunista Ziraldo e a equipe da CRAMA DESIGN de Ricardo Leite estão disponíveis em todas as filiais da Editora Vozes no país, a fim de que o leitor possa discernir, construir e fortalecer um juízo pessoal . Isso corresponde ao direito dos pais de exigir dos Governos Federal, Estadual e Municipal, o tipo de Educação que o Estado deve ministrar a seus filhos e/ou ao próprio estudante maior de 16 anos. Só assim poderemos participar da transformação da sociedade. Essa é a verdadeira cidadania! Por fim ressaltamos o art. 30 da Declaração dos Direitos Humanos de 1948: Art. 30-“ Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos”. Lourdes Mara Ribeiro- Departamento Arquidiocesano de Ensino Religioso do R.J. Darlene Ribeiro- -CCT e Vice-Primaz do Primado de Umbanda do Rio de Janeiro Vera Lúcia Santiago Cruz- Organizadora do Projeto dos Livros Didáticos da Arquidiocese do Rio de Janeiro

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