Rio Grande do Sul – Alunos da capital fogem do Ensino Religioso

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Rio Grande do Sul – Alunos da capital fogem do Ensino Religioso

Junho 23, 2004 (alc). A participação de alunos nas aulas de Ensino Religioso em escolas pública de Porto Alegre é baixa. Dos 1.102 alunos do Colégio Estadual Paula Soares apenas oito optaram por cursar a disciplina em 2004. No ano passado, dos 20 alunos que se matricularam em Ensino Religioso no Colégio Júlio de Castilhos, um dos mais tradicionais da rede pública estadual, metade desistiu depois de algum tempo. O colégio tem quase quatro mil alunos matriculados. O quadro inverte-se em escolas públicas do interior do Estado. No Colégio Gonzaga, de Pelotas, 800 alunos freqüentam as aulas de Ensino Religioso. Na Escola Estadual Joaquim Fagundes dos Reis, de Passo Fundo, os 1,5 mil alunos matriculados optaram por aulas de religião. Na Escola Estadual Haidée Tedesco Reali, de Erechim, segundo levantamento realizado pelo jornal Zero Hora, dos 1,6 mil alunos matriculados apenas sete não optaram pelo Ensino Religioso. Aprovada em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) obrigou as escolas a ofertarem a disciplina, mas deixou a opção para a família de aceitá-la ou não para a matrícula de filho ou filha na escola. Segundo o reverendo Henrique Illarze, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e diretor-presidente do Conselho do Ensino Religioso do Rio Grande do Sul (Coner), o espaço de abertura para o debate da religião nas famílias e na vida das pessoas da capital é muito inferior comparado ao valor atribuído entre as comunidades que vivem nas pequenas e médias cidades interioranas. Na visão do sacerdote anglicano, o problema do Ensino Religioso está centrado no caráter confessional vinculado à matéria, como acontecia até 1996. “Antes da mudança da lei, as aulas de Ensino Religioso eram extensões da catequese”, salienta. Assim, a pluralidade religiosa e cultural do brasileiro não era considerada, além de deixar de fora do debate diversas correntes religiosas. Agora, afirma Illarze, o proselitismo foi vedado das escolas. O Ensino Religioso está cada vez mais vinculado à formação básica do brasileiro, respeitando opiniões e diferenças, e ressaltando a tolerância, a justiça e a paz. Para a Coordenadora de Ensino Religioso da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Vilma Teresa Rech, da congregação das irmãs de Jesus Bom Pastor, o Ensino Religioso deve contemplar as culturas e as expressões religiosas, e trabalhar a questão antropológica do ser pessoa. Vilma citou os eixos norteadores do trabalho ecumênico desenvolvido nas escolas públicas, propostos pelo Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso, ressaltando as culturas e as tradições, as teologias, os textos sagrados, as expressões e as simbologias e a dimensão ética da religião. A irmã elogiou o trabalho do Conselho do Ensino Religioso do Rio Grande do Sul (Coner), o qual coordenou por três anos, salientando a importância da entidade na construção do ensino inter-religioso.

Publicado originariamente em 15 de abril de 2013.

/ Brasil

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