Rio Grande do Sul – Ensino Religioso ganha mais espaço nas escolas da rede estadual

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Rio Grande do Sul – Ensino Religioso ganha mais espaço nas escolas da rede estadual

Diretores e coordenadores pedagógicos das escolas estaduais de Lajeado participaram nessa quarta-feira de uma reunião com representantes da 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
 
Foram debatidas alterações na grade curricular para o próximo ano, entre elas, o fim das aulas específicas de Seminários Integrados e a transformação do Ensino Religioso em uma grande área de conhecimento.
 
De acordo com a coordenadora da 3ª CRE, Greicy Weschenfelder, a mudança foi planejada com base em estudos. “Agora chegou a hora de pegar os regimentos, refletir, ver erros e acertos, sempre pensando no nosso aluno.”
 
Segundo ela, a nova grade curricular busca estabelecer uma educação integral ao estudantes, visando a formação de um cidadão crítico, além de melhorar o desempenho em avaliações como o Enem e os vestibulares.
 
Conforme Greicy, as reuniões com as equipes diretivas visam discutir e estabelecer as alterações para o próximo ano. Coordenador pedagógico da 3ª CRE, Fábio Mallmann defende a atualização do ensino diante da velocidade das mudanças sociais e do avanço tecnológico.
 
“O momento exige uma avaliação do trabalho e do currículo da escola e daquilo que a instituição de ensino e do seu significado na comunidade onde está inserida”, afirma. Segundo ele, o debate com os educadores e o corpo diretivo viabiliza o tempo necessário para os colégios se atualizarem.
 
“Reforça a concepção de uma educação que atende um projeto de país, de uma sociedade capaz de realizar seus sonhos sem perder do horizonte a responsabilidade social”, acredita. De acordo com Mallmann, o papel da CRE é alertar as escolas sobre a legislação para que as instituições tenham o suporte jurídico para implementar as mudanças de acordo com a realidade de cada comunidade.
 
Para a diretora da escola Otília Corrêa de Lima, Maristela Secco, os debates com representantes de diferentes instituições ajudam a estabelecer consensos e conflitar ideias divergentes. “Se não pararmos para pensar e reconstruir, vamos continuar usando um modelo defasado.”
 
Para a diretora, o principal desafios dos educadores hoje é como construir o conhecimento em jovens cada vez mais inseridos no ambiente virtual. Esse trabalho pode evitar a defasagem do ambiente escolar, diz a educadora.
 
 Reforma horizontal
A diretora da Otília Corrêa de Lima enaltece as diferenças entre a proposta discutida no RS e a tentativa de reforma educacional proposta pelo governo federal. Considera lamentável a tentativa de imposição de um modelo sem consultar os profissionais do setor.
 
O coordenador pedagógico da CRE pensa ser inviável qualquer tipo de alteração curricular sem essa discussão.
 
“Ninguém muda por decreto ou por força de lei”, enfatiza. Segundo ele, a educação é um processo cuja efetividade depende da inclusão de toda a comunidade escolar.
 
“Esse movimento reforça uma política de autonomia para as escolas”, ressalta.
 
Para ele, as instituições têm mais capacidade para entender como o trabalho deve ocorrer para dar conta das particularidades de cada aluno e comunidade.
 
Nova base nacional
A ascensão do Ensino Religioso como uma das cinco grandes áreas do conhecimento foi definida durante os debates do Plano Nacional de Educação. Em debate desde junho de 2014, ele estipula a Base Nacional Comum Curricular, prevista desde 1988 na Constituição.
 
A mudança deverá ser implementada em todas as escolas a partir de 2018. Hoje o Ensino Religioso é uma disciplina da área de Ciências Humanas, junto com História, Geografia, Sociologia e Filosofia.
 
“Queremos formar um aluno cidadão, que veja sentido na escola.”
A Hora – Que mudanças serão estipuladas a partir do ano que vem?
 
Greicy – O Seminário Integrado deixa de ser uma disciplina da grade curricular e se torna uma forma de prática. Ele buscava fazer pesquisa para tornar esse aluno mais crítico, mais leitor e apto a fazer projetos. Essa prática ocorrerá em todas as disciplinas, mas não será uma aula em separado. Teremos o Ensino Religioso como a quinta grande área do conhecimento. É uma área que vem com força total, ligada aos direitos humanos. Também vamos refletir a avaliação. Nossos pais, alunos e professores ainda não entendem a prática de competências e habilidades.
 
O nsino de religião nas escolas é polêmico e motiva debates históricos diante do direito à liberdade de crenças. Como isso será trabalhado?
 
Greicy – A disciplina é de suma importância diante da sociedade contemporânea. As pessoas fazem tudo pelo imediatismo, pautado no individualismo e não no coletivismo. Existe uma falta de crença, não religiosa, mas crença nas relações, no amor e na possibilidade de transformação da sociedade. Também tem a questão do respeito aos direitos humanos. Isso é ensino religioso. De forma alguma devemos trabalhar algum tipo de religião, seja católica ou evangélica, ou qualquer outra. Não vamos priorizar a religião, e sim a espiritualidade e valores que estão em falta na sociedade.
 
Qual sua avaliação sobre os resultados do Enem na região e de que forma essa reestruturação pode melhorar esse desempenho?
 
Greicy – Estamos construindo uma nova forma de pensamento. É cedo para colhermos resultados. Claro que não estamos satisfeitos com o desempenho atual. Mas não podemos culpar a escola, tão somente. É culpa de toda a sociedade. Nós precisamos apostar mais na educação e fazer com que nosso aluno encontre sentido na escola. A pessoa mais motivada vai ter melhores resultados nas avaliações. Não precisamos apontar o dedo, e sim pensarmos juntos outras estratégias e envolver toda a comunidade escolar nisso.
Publicado originariamente em 24 de novembro de 2016.
/ Brasil

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