Santa Catarina – Ensino Religioso: um desafio ao diálogo

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Santa Catarina – Ensino Religioso: um desafio ao diálogo

A nossa condição humana revela que não nascemos prontos e acabados. Estamos num vir a ser permanente. Ao mesmo tempo, somos limitados e finitos. O que somos e o que seremos depende em grande parte das nossas inter-relações com as outras pessoas e com o meio em que vivemos. Somos seres relacionais.

A partir desta concepção, coloca-se para a escola como espaço de educação formal e para o componente curricular do Ensino Religioso, de forma especial, o desafio de contribuir para uma formação integral de cada ser humano em relação consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com a transcendência, proporcionando uma aprendizagem intercultural e inter-religiosa, de auto-afirmação da sua identidade e de aceitação e de afirmação do outro na sua diversidade e na sua diferença. Este processo só pode ocorrer numa atitude dialógica e em contextos educativos e, por isso, no espaço escolar, temos o desafio diário de multiplicar gestos de aceitação, respeito e consideração e de viabilizar o diálogo como força formadora da identidade e como contribuição para a vivência da alteridade.
Convivendo, as pessoas aprendem a conhecer umas às outras, também na dimensão religiosa, e, conhecendo-se, aprendem também a se respeitar. Por isso, uma das ênfases do Ensino Religioso, a partir da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), é a de que neste componente curricular seja assegurado “o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”, conforme consta no artigo 33 em sua nova redação dada pela Lei 9475/97.

A construção de uma proposta curricular de Ensino Religioso é, portanto, um processo contínuo que envolve a superação de uma prática educativa com uma perspectiva confessional e homogênea, para assumir uma perspectiva intercultural e inter-religiosa, numa atitude de abertura e de respeito às diferentes culturas e tradições religiosas, sem preconceitos, sem discriminações e sem proselitismos, como bem expressam as palavras de Dom Hélder Câmara: “Se eu pudesse, daria um globo terrestre a cada criança… Se possível, até um globo luminoso, na esperança de alargar ao máximo a visão infantil e de ir despertando interesse e amor por todos os povos, todas as raças, todas as línguas, todas as religiões!”
E, como convite para repensarmos e ressignificarmos o Ensino Religioso em nossas escolas e na formação docente, apostando neste componente curricular como “parte integrante da formação básica do cidadão”, conforme assegurado na LDB, fica o desafio de Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

A equipe de coordenação do FONAPER (gestão 2008-2010)

Publicado originariamente em 22 de maio de 2010.

/ Brasil

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