São Paulo – Educadores querem a volta do ensino religioso nas escolas

SAO PAULO

São Paulo – Educadores querem a volta do ensino religioso nas escolas

 ENSINO RELIGIOSO – Assunto será discutido pela primeira vez durante um congresso internacional sobre espiritualidade, que ocorre no fim de semana na capital. Proposta não seria doutrinar estudante, mas ensiná-lo a conviver com as diferenças.

Pela primeira vez, um congresso vai reunir, em São Paulo, educadores e cientistas do Brasil e de vários outros países para discutir a importância da volta do ensino religioso no currículo escolar. A proposta, segundo a professora Dora Incontri, coordenadora do encontro, é introduzir a espiritualidade nas escolas, não como uma forma de doutrinar o aluno, mas para levá-lo a refletir sobre valores, tradições, ideias novas e, principalmente, a aprender a conviver com diversidade.

Doutora em filosofia para a educação formada pela USP, Dora afirma que no congresso serão apresentadas pesquisas e experiências de educadores nacionais e internacionais sobre o benefício do ensino religioso aos jovens. Um dos estudos, do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e publicado na última terça-feira no DIÁRIO, mostra que adolescentes com vínculos religiosos desde a infância têm menos propensão a se envolverem com álcool, cigarro e drogas ilícitas.

O congresso, que ocorre de amanhã até segunda-feira, terá palestras com pesquisadores das universidades da Virginia e Washington, dos EUA; da Universidade Católica, da Austrália; de Bydgoszcz, da Polônia; Nothern British Columbia, Canadá; da USP, Unicamp, Universidade Federal de Juiz de Fora e Metodista, entre outras. Representantes de diversas religiões também vão participar.

Formação específica
Um dos grandes obstáculos para introduzir o ensino em todas as escolas é a falta de professor específico. Hoje, o assunto tem sido abordado por mestres em história, filosofia e sociologia.

O professor Alessandro Bigheto, um dos autores da série de livros “Todos os Jeitos de Crer”, adotado no ensino fundamental e médio, diz que sua experiência em sala de aula tem sido gratificante.

“As crianças se interessam muito pelos temas abordados (religião e atualidade), discutem, mas o interessante é a diferença cultural entre elas e outras que não têm esse aprendizado”, diz.

Colégio tradicional católico adota aulas inter-religiosas
Tradicionalmente conhecida como escola católica, o Colégio Santo Agostinho, em São Paulo, mantém ensino religioso como matéria obrigatória na grade curricular. Porém, hoje, a abordagem durante as aulas não tem mais o caráter doutrinatório de anos anteriores. “O interesse agora é cultural, para que os alunos tenham contato com as mais diferentes religiões, possam fazer uma escolha e saibam respeitar a crença dos outros”, explica o coordenador pedagógico, Ricardo Correa de Aquino Júnior.

Segundo ele, a preocupação da escola não é só a formação acadêmica do aluno, mas também a humana. “O jovem que está formado integralmente é menos propenso a vícios ou à prática de atitudes violentas”, afirma.

No ensino religioso, segundo Aquino, não são abordados apenas temas relacionados à religião. Um dos principais objetivos, diz ele, é dar uma ampla informação sobre temas cotidianos, como por exemplo violência e morte, que muitas vezes não são discutidos em casa. “A proposta não é fazê-los acreditar nisso ou naquilo, mas permitir que saibam separar coisas boas e ruins.”

Aquino afirma que, para a escola, o ensino religioso tem a mesma importância que o de língua portuguesa ou matemática. Os pais, segundo o coordenador, também não encaram o tema como “aquilo que dará um jeito” em seu filho, mas como forma de orientação para o futuro dele.

Aulas em escola pública são opcionais
Na rede municipal de ensino, temas como valores morais, respeito e amizade são abordados pontualmente nas aulas de história. Já, na rede estadual, o ensino religioso faz parte da grade curricular do 1º ao 5º ano. No ensino médio, as aulas são dadas por professores de história, filosofia e ciências sociais. A partir do 9º ano, a matrícula na disciplina é opcional. Os alunos interessados têm 28 aulas semanais e não 27 como os colegas não optantes. Nos demais anos os temas são tratados junto com outras matérias.

Evento  em São Paulo
O 1º Congresso Internacional sobre Espiritualidade e Educação ocorre no Centro de Convenções Rebouças, do próximo dia 4 a 6.

Para mais informações e inscrições acesse  http://www.educacaoespiritualidade.com/

http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2010/09/5938-educadores+querem+a+volta+do+ensino+religioso+nas+escolas.html

Publicado originariamente em 2010.

/ Brasil

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