São Paulo – Pesquisa sobre Ensino do fenômeno religioso na escola pública: área de conhecimento necessária para uma sociedade secularizada

SAO PAULO

São Paulo – Pesquisa sobre Ensino do fenômeno religioso na escola pública: área de conhecimento necessária para uma sociedade secularizada

Em março o Prof. José Antonio Correa Lage na Universidade Metodista de São Bernardo defendeu a Tese: Ensino do fenômeno religioso na escola pública: área de conhecimento necessária para uma sociedade secularizada.  Fizeram parte da banca o Prof. Dr. Lauri Wirth, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) – orientador – além dos professores:  Profª Dra. Elisa Rodrigues (UFJF),  Prof. Dr. Sérgio Junqueira (PUC-PR),  Profª Dra. Sandra Duarte (UMESP) e o Prof. Dr. Jung Mo Seng (UMESP).

 

Ao estudarmos a evolução histórica e o panorama atual do ensino religioso no Brasil, nos depararmos hoje com o problema da exclusão mútua de duas visões do seu tratamento na escola pública: ou deve existir o ensino religioso confessional ou não deve existir nenhum tipo de ensino religioso. Superando uma visão de laicidade de abstenção ao afirmar que o religioso, por definição, não nos diz respeito ou não diz respeito à ciência, e admitindo uma laicidade de inteligência ao defender que é nosso dever ou dever da ciência compreendê-lo como humano e social, o ensino do fenômeno religioso pode superar essas duas visões, a partir de uma base epistemológica sólida para esta área de conhecimento, como já é prevista pela nossa legislação. Ele garante o respeito à diversidade religiosa à pluralidade cultural da sociedade brasileira e contribui para a compreensão do fenômeno religioso como objeto de cultura. Ele é capaz de subsidiar práticas de ensino do fenômeno religioso no sistema de ensino laico, sem prejuízo de sua laicidade, mas a favor dela. A educação laica para a cidadania não pode ignorar as religiões pela sua forte presença e função na sociedade. É preciso decodificar criticamente as representações e práticas religiosas em nome da convivência mais construtiva entre as pessoas e extrair das tradições religiosas valores que contribuam para a vida humana na sua plenitude. Este modelo de ensinar a religião como fenômeno antropológico, social e cultural poe ainda cumprir uma função específica no que se refere ao conhecimento de si mesmo (identidade) e do outro para aceitação do diferente (alteridade) apontando para construção de valores éticos da cidadania. Esta pesquisa se baseia em grande levantamento bibliográfico e entrevistas com especialistas em laicidade e ensino religioso a partir da proposta de Regis Debray adotada na França. Ela nos leva a concluir que o ensino do fenômeno religioso na escola pública do Brasil não é apenas necessário, mas até indispensável, se queremos uma educação que contribua para a formação dos nossos alunos e alunas para a convivência solidária.

Publicado originariamente no dia 18 de abril de 2016.

/ Brasil

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