Suiça- FLM questiona projeto de lei francês sobre símbolos religiosos

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Suiça- FLM questiona projeto de lei francês sobre símbolos religiosos

O projeto de lei que proíbe a ostentação de símbolos e vestimenta religiosa nas escolas públicas francesas, ao invés de promover a integração, poderá conduzir à maior fragmentação da sociedade, adverte a Federação Luterana Mundial (FLM).

Em carta dirigida, na quarta-feira, ao presidente da França, Jacques Chirac, o secretário geral da FLM, Ishmael Noko, previne que essa lei pode alentar a criação de instituições educacionais isoladas e separadas do resto da sociedade, e ser utilizada por aqueles que querem alentar a divisão e o extremismo, satanizando os demais.

Ao referir-se ao discurso que Chirac pronunciou no dia 17 de dezembro, Noko anota que a coexistência harmoniosa numa sociedade multireligiiosa requer “um sutil, precioso e frágil balanço”.

O princípio do secularismo não pode negar a importância central da fé e prática religiosa para muita gente. A medida proposta de proibir símbolos religiosos nas escolas estatais, assim parece, “carece da necessária sensibilidade para promover e proteger esse equilíbrio”, sublinha.

Noko explica que uma das prioridades da FLM é “propiciar o diálogo, a compreensão mútua e a cooperação entre as pessoas de diferentes crenças”. Esses objetivos não podem ser promovidos ocultando as diferenças. Assinala que a intolerância, o fundamentalismo e o conflito crescem rapidamente num terreno de mútuo desconhecimento, separação e isolamento.

No discurso em dezembro, Chirac defendeu lei que proíba alunos das escolas públicas usarem símbolos ou objetos que indiquem de modo evidente sua identidade religiosa, como as toucas judias, as cruzes cristãs ou os véus que cobrem os rostos das muçulmanas.

Dirigentes religiosos objetaram o projeto, mas as pesquisas indicam que a maioria dos franceses o apoiam. O debate sobre o projeto começou no Parlamento no dia 3 de fevereiro, e se espera que seja votado na próxima terça-feira, 10.

Noko espera que o debate parlamentar esclareça as conseqüências que a lei pode ter sobre a coesão da sociedade francesa. É difícil entender como o uso de símbolos de alguma religião por escolares possa ser entendida como proselitismo ou ofensiva para outros, argumenta.

Ocultar as diferenças não favorece o diálogo nem o entendimento. Ao contrário, as diferenças precisam ser exploradas, compreendidas e avaliadas, enfatiza Noko

Publicado originariamente em 05 de janeiro de 2013.

/ Internacional

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